Após um hiato de mais de 1 ano sem publicações a Revista Aurora retoma suas atividades com a publicação de sua quinta edição contemplando a temática Cinema brasileiro de mulheres, suspensa por dificuldades concretas desta equipe.
A retomada das publicações no ano de 2025 traz novos redatores a equipe e a tentativa de renovar o formato das publicações, com temas livres em textos esporádicos dos redatores, além dos dossiês que marcaram a trajetória da revista até aqui, através dos quais será possível articular a participação de colaboradores externos.
A edição n° 5 conta com dez textos que abrangem diferentes aspectos do cinema nacional, seja através da análise de filmes realizados por mulheres, autoras e obras nas quais as questões femininas estão em foco, as contribuições de atrizes também como autoras na cinematografia brasileira e suas trajetórias na direção cinematográfica, as representações do feminino na cinematografia nacional, bem como a crítica à apropriações de pautas políticas caras ao feminismo pelo cinema de grande público brasileiro.
Assim, a edição se divide em 4 blocos: no primeiro – Ana Carolina e a Trilogia da condição feminina – a obra da cineasta ganha atenção nos textos Ana Carolina e a Cruz do Patriarcado, de Thais Vieira e Prefácio a Ana Carolina, de Matheus Strelow, nos quais ambos se debruçam sobre a “Trilogia da condição feminina”.
O segundo bloco – Autoria feminina no cinema brasileiro – é o mais longo e nele a autoria aparece através da análise de filmes bastante diferentes entre si. O curta-metragem Pudim de Morango (Irmã(o)s Wagner, 1979) é analisado no texto Pudim de morango e a mosca da criação, de Luciane Carvalho, onde a pesquisadora traz à tona a obra independente das irmãs paranaenses no contexto dos anos 70 e 80. Lucas Reis também se debruça sobre uma animação – Frankenstein Punk – e investiga proximidades em um certo cinema paulista na década de 1980. Na breve crítica Vaga Carne, de Vitor Veloso, o filme homônimo de Grace Passô é lido como uma provocação de uma artista negra ao público teatral e cinematográfico. Já Ondas que nos atravessam, de Naira Nanbiwí Soares, ressoa poeticamente uma reflexão sobre o que faz sentir e pensar o cinema através de um olhar sensível aos filmes Abá, de Raquel Gerber e Cristina Amaral, e Lamento às Águas, de Vilma Martins.
O terceiro bloco – Trajetória e obra de atrizes cineastas – é composto dos artigos Eu, Norma Bengell: a busca por legitimação histórica no espaço biográfico e por uma nova história das mulheres, de Andressa Gorgia, que lança luz sobre a trajetória cinematográfica de Norma Bengell como atriz e diretora, e Itala Nandi no cinema brasileiro, de Adriano Del Duca, que destaca a trajetória de Ítala Nandi refletindo sua trajetória como atriz de teatro, cinema e TV, mas também como produtora e realizadora audiovisual.
Encerrando a edição o quarto bloco – Representações da mulher no cinema brasileiro – conta com os textos Orfeu Negro: As Representações De Mira de Tal e Euridíce e como elas se perpetuam no imaginário coletivo da contemporaneidade, de Juliana Mendes, em que a pesquisadora analisa a representação dos personagens femininos nas versões de Orfeu Negro (Marcel Camus, 1959) e Orfeu (Cacá Diegues, 1999) e, finalmente, a crítica Clichês, estereótipos e falso combate às opressões, em que Rodrigo Bouillet, aponta uma analise sobre Minha Mãe é uma peça 3 (Susana Garcia, 2019) e para a questão da representação da mulher no cinema brasileiro de grande bilheteria.
Para além de propor um conjunto de análises, ensaios e críticas, a edição #5 da Revista Aurora é um convite a assistir o cinema dessas mulheres que os textos abordam e politizar a localização de suas obras e trajetórias na historiografia do cinema brasileiro. A revista aurora retorna ao público com o entusiasmo de quem faz um aporte para o debate e atenta às reformulações que a temática do cinema de mulheres suscita.
Equipe Aurora